HPV e Terapia Fotodinâmica

Histórico

A luz, assim como outros fenômenos físicos, sempre foi utilizada em medicina. Auxiliando o médico clínico na observação de um paciente ictérico ou numa translucidez normal de uma membrana timpânica, atua como agente auxiliar no diagnóstico de doenças e podemos até dizer, na terapêutica de muitas delas. Considerando esta questão em um maior grau de complexidade, temos a chamada terapia fotodinâmica (PDT – PhotoDynamic Therapy), técnica que utiliza a luz, tanto para o diagnóstico quanto para o tratamento de certos tumores. Para que isto ocorra, é necessária a existência de um fotossensibilizador, substância capaz de absorver fótons, seletivamente retido em células tumorais e que em contato com um determinado comprimento de onda (luz) dá início a uma seqüência de mecanismos físicos, químicos e biológicos, levando a destruição ou fluorescência destas células.
A utilização da luz e um fotossensibilizador em Medicina, já são conhecidos através dos tempos. Os egípcios já utilizavam há mais de 4.000 anos, a ingestão de plantas, contendo os psoralenos, e aplicação da luz solar para o tratamento do vitiligo. Em 1900, Raab descreveu a ação do corante acridina e luz solar sobre Paramecia, demonstrando os efeitos tóxicos nesses organismos unicelulares. Finsen, em 1901, observou que a luz solar poderia ser utilizada na cura do Lupus vulgaris, e Trappeiner; em 1903, utilizou a eosina e luz solar para tratar câncer de pele. Curiosa foi a atitude de Meyer-Betz, em 1913, que se autosensibilizou com hematoporfirina pura registrando os sintomas da fotossensibilização, que perduraram por um período de 2 meses. Na década de 70, Dougherty e colaboradores, foram os primeiros a utilizarem o PDT em ensaios clínicos, relatando o sucesso na terapêutica contra tumores malignos.
Vários fotossensibilizadores foram estudados desde então, tais como as porfirinas, clorofila e as ftalocianinas. Destas, os derivados da hematoporfirina (HpD), foram os que se apresentaram como os melhores fotossensibilizadores, a tal ponto que, em 1998, foi aprovado pelo FDA o medicamento Photofrin (mistura complexa de oligômeros de hematoporfirina).
Essa técnica bem consagrada em países como Japão, Canadá, EUA, Itália, Rússia, pouco a pouco ganha adeptos no Brasil, com o aparecimento de instituições que estudam a PDT, não só no seu aspecto de pesquisa, mas também, na sua utilização clínica.

Aspectos da Interação luz-tecido na Fisiopatogenia da PDT
Algumas drogas têm a capacidade de seletivamente concentrar-se em células com hipermetabolismo (mitose e meiose). Ao aplicar uma luz “ideal”, entenda-se aqui como um determinado comprimento de onda e por um tempo adequado neste tecido “sensibilizado”, os fótons dessa luz, são absorvidos por este corante, que transfere energia ao oxigênio da célula. Este oxigênio excitado (oxigênio triplete), passa a ser quimicamente ativo reagindo e destruindo a célula hospedeira do corante. A reação do composto no estado triplete com o oxigênio molecular celular, irá produzir um oxigênio singlete, que vai causar a morte celular, por interromper os processos biológicos por:

a.   oxidação;
b.   ciclo adição (com colesterol, triptofano, guanina, etc);
c.   formação de radicais livres (anion superóxido, hidroxil e peróxido de).
(hidrogênio).

Procedimento

-       aplicação da droga selecionada que pode ser por via endovenosa ou tópica;
-     aguardar o tempo adequado para a concentração da mesma no local a ser tratado;
-     aplicar a luz selecionada por tempo adequado.

Após a irradiação observa-se que não ocorre destruição total do tumor, apenas a região fotolisada fica necrosada, porém o efeito é propagado e a morte do tecido decorre, principalmente, do comprometimento vascular (sistema que irriga o tumor).

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Considerações sobre os Fotossensibilizadores na PDT

A substância utilizada em PDT deve ser administrada por via oral ou endovenosa, para o tratamento de tumores de cabeça e pescoço, broncopulmonares, de bexiga, gastrointestinais e outros. Nos tumores endometriais e cutâneos, pode ser aplicado topicamente. Daí, as pesquisas com o ácido delta-aminolevulínico (ALA) nas lesões de carcinomas basocelulares e ceratoses actínias da pele.
Muitas drogas têm sido estudas na PDT e o objetivo maior é o encontro de um fotossensibilizador, que apresente um baixo índice de toxicidade para o paciente, com alto grau de seletividade às células tumorais, dentre elas:

a.   Drogas em estudo: porfirinas endógenas, clorinas, bacteriociclinas,
ftalocianinas, naftalocianinas, purpurinas, entre outras;
b.   Drogas sob análise para registro: Foscan (m-THPC) e Mace (Npe6);
c.   Drogas em uso aprovadas pelo FDA: Photofrin (composto de oligoelementos
de hemastoporfirina), Levulan-Kerastic (hidroclorto do ácido aminolevulínico) e Visudyne (BPDMA é uma clorina, um dos anéis pirólicos da porfirina oxiidado).

Medicamentos mais Utilizados e suas Indicações

Essa tabela relaciona algumas indicações terapêuticas, porém é importante salientar que cada tipo de tumor irá requerer um procedimento individualizado como:

a.   droga ideal a ser utilizada;
b.   quantidade ideal de medicamento;
c.   após quanto tempo de aplicada a droga deve-se  iniciar a aplicação da luz;
d.   tipo de Laser ideal;
e.   freqüência ideal do Laser;
f.    tempo ideal de aplicação da luz.

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Considerações Finais

A PDT tem sido utilizada para o tratamento de vários tipos de câncer, porém, por ter como características comuns o crescimento anormal dos tecidos, sua utilidade também tem sido observada no tratamento da degeneração macular da retina, psoríase, artrite reumatóide sistêmica, micoses, verrugas, infecções bacterianas, arteriosclerose, quelóides, entre outras.
Existem vários protocolos para tratamento dos diversos tipos de tumores e outras afecções. Sem dúvida, é uma forma de tratamento promissora e sem limites de atuação. Suas inúmeras variáveis, porém, requer muito estudo e bom senso para que a realização desses procedimentos seja feita da maneira mais adequada e possível.
Não é demais afirmar que cada tipo de tumor irá requerer um procedimento individualizado e específico no sentido de se encontrar a droga ideal a ser utilizada, a quantidade ideal de medicamento, o tempo da droga e de aplicação da luz ou laser.
Outra importante consideração é o aspecto de fluorescência da PDT. Se iluminarmos o tecido com luz ultravioleta adequada, ocorrerá uma fluorescência vermelha com comprimento de onda da ordem de 620 nm. Essa detecção poderá ser feita a olho nu, através de registro fotográfico ou por sistemas eletrônicos de detecção. Qualquer que seja o método, se o resultado for positivo quanto à fluorescência, também será positiva a malignidade. Aqui os mecanismos físicos envolvidos na interação luz, tecido e fotossensibilizador são outros. Esse aspecto permite a utilização da PDT como método diagnóstico precoce, já que a droga, além de ser tumor seletivo, propicia forte emissão de fluorescência.

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